Letra do dia

Fevereiro 18, 2008 on 9:56 am | In Sem Categoria | No Comments

Banda Larga Cordel

Gilberto Gil

Composição: Gilberto Gil

Pôs na boca, provou, cuspiu.
É amargo, não sabe o que perdeu
Tem o gosto de fel, raiz amarga

Quem não vem no cordel banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Tem um gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel da banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Uma banda da banda é umbanda
Outra banda da banda é cristã
Outra banda da banda é kabala
Outra banda da banda é alcorão

E então, e então, são quantas bandas?
Tantas quantas pedir meu coração
E o meu coração pediu assim só
Bim-bom, bim-bim-bom, bim-bão

Todo mundo na ampla discussão
O neuro-cientista, o economista
Opinião de alguém que está na pista
Opinião de alguém fora da lista
Opinião de alguém que diz não
Ou se alarga essa banda e a banda anda
Mais ligeiro pras bandas do sertão

Ou então não, não adianta nada
Banda vai, banda fica abandonada
Deixada para outra encarnação

Ou então não, não adianta nada
Uma vai outra fica abandonada
Os problemas não terão solução
Piraí, Piraí, Piraí
Piraí bandalargou-se há pouquinho
Piraí infoviabilizou
Os ares do município inteirinho
Por certo que a medida provocou
Um certo vento de redemoinho

Diabo do menino agora quer
Um ipod e um computador novinho
O certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho

O Netinho baiano e bom cantor
Já faz tempo tornou-se um provedor – provedor de acesso
À grande rede www
Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô
Diabliu de menino internetinho
Sozinho vai descobrindo o caminho
O rádio fez assim com o seu avô
Rodovia, Hidrovia,
Ferrovia e agora chegando a infovia
Pra alegria de todo o interior.
Meu Brasil, meu Brasil, bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões
Veredas dos Sertões, Guimarães Rosa
Ilíadas, Luzíadas, Camões

Rei Salomão no Alto Solimões
O pé da planta, a baba da babosa
Pôs na boca, provou, cuspiu
É amargo, não sabe o que perdeu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu…

 

A Turma do Quinto expõe arte na avenida

Fevereiro 4, 2008 on 4:23 pm | In Sem Categoria | No Comments

 

A Turma do Quinto versus Favela do Samba. Repete-se a contenda. As duas escolas de samba voltaram a polarizar a disputa pelo título do carnaval de passarela de São Luís de 2008. O Quinto trouxe para a passarela do anel viário o enredo “Balaiada, a guerra dos Bem-te-vis: 170 anos do pega”,cantado em samba de Zé Pereira Godão e Luís Bulcão, os dois agitadores culturais mais conhecidos da Madre Deus. A Favela do Samba desfilou uma viagem histórico-alegórica no enredo “O homem e o mar…navegar é preciso”.

Tácito Borralho é o carnavalesco da Turma do Quinto que concebeu o enredo junto com o imortal Américo de Azevedo Neto. Abriu o desfile com o carro alegórico “Guerreiros da Lagoa Amarela”, lugar do primeiro quilombo de resistência do Negro Cosme, herói da raça no episódio histórico que envolveu o Maranhão, Piauí e Ceará num levante contra a coroa portuguesa e a opressão dominante por essas terras em pleno século XIX. O material utilizado por Manoel Francisco dos Anjos, lavrador fazedor de balaio, inspirou a escola em suas fantasias e alegorias.

“O grande mistério”, carruagem de Netuno puxada por cavales, foi o carro alegório abre- alas da A Favela do Samba, tendo a cidade de Atlântida guardada por um polvo gigante. Nas alas, a relação do homem com o mar se apresentou em tiras de material sintético.Eis aí a diferença entre a Turma do Quinto e A Favela do Samba, que tem como carnavalesco há 16 anos o artista plástico Júlio Matos, que também desenha e confecciona a fantasia do boi Pirilampo.

É melhor ficar nessas duas escolas, evitando assim comentar o espetáculo tosco que a lente da TV ameniza em matizes coloridas e ângulos ousados e repetitivos da morena gostosa. O brado em meio ao som da bateria ainda se apega ao refrão da falta de patrocínio. Mesmo as que vêm para a avenida bem apadrinhadas, como aconteceu com a Unidas de Fátima e Mangueira. Esta última fez um desfile superior ao ano passado, mas não digno de sua primazia enquanto escola de samba no Maranhão.

O Quinto continua sendo puro coração. O presidente Antonio Dantas Ribeiro, Toínho, é convincente em sua empolgação. Joga ao céu sua emoção que contagia a todos no chão. Pelo tema escolhido a escola já mereceria destaque. É bom que joguemos ao lixo a visão “macartista” de revirar o lodo do passado quando a escola cantou Kiola e outros temas vãos. Lembremos que na escola do Sacavém o ouro de tolo de Saraminda também já vicejou vaidades em busca de afagos imperiais.

Conclui-se após a passagem dos 250 metros de passarela do samba, percurso feito durante os 50 minutos de duração oficial do desfile, que A Turma do Quinto prepara o carnaval como quem constrói uma obra de arte, não apenas um deslumbre aos olhos. Para os ouvidos, sem dúvida que o samba de Godão e Bulcão também soa melhor.

Carnavalescos maranhenses com estágio na Sapucaí carioca puxaram da manga puída uma discussão etimológica sem sentido. Que alegoria é uma coisa para dar idéia de outra, ninguém discute. Mas é bom que esses se apeguem a outro conceito que perpassa a arte, sua dimensão estética alicerçada em qualquer artifício ou artefato (no caso das escolas de samba) que a confirme.

Ninguém suporta mais são os carros alegóricos com ferros expostos, puxadores esbaforidos a empurrar o monstrengo com destaques sem nenhum destaque, ou atributo físico que os justifiquem, um monte de TNT e outros materiais de armazém de terceira categoria, comprado aos quilos pelos comandantes das agremiações, para dar idéia de contemporaneidade.

Tácito Borralho acertou mais uma vez, usou o material que se encontra por aí em terras maranhenses, o cofo a meaçaba, enviras, touças de juçareiras,  e tudo aquilo que uma escola de samba pode transformar no barracão em algo vistoso. Mas corações e mentes ainda apegados à província talvez prefiram ter como espelho a metrópole, mesmo que pareça ridículo. È o regresso ao tempo do combate entre liberais e conservadores travado há 170 anos.

Esperemos que os jurados não me venham com regra três. Isso sim seria uma alegoria triste da mediocridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deu no JB- Lobão diante de uma tentação eleitoral

Janeiro 20, 2008 on 4:07 pm | In Sem Categoria | No Comments

20 de janeiro de 2008
Lobão diante de uma tentação eleitoral
Fernando Exman BRASÍLIA

No comando do Ministério de Minas e Energia a partir de amanhã, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) terá nas mãos um poderoso instrumento para garantir votos para o seu grupo político nas próximas eleições, o Luz Para Todos. O programa de universalização do governo tem o mérito de dar acesso à energia a pessoas que nunca tiveram luz em casa. Nas mãos de políticos , entretanto, pode ser uma arma para o clientelismo.

- O Luz Para Todos é importante, bom e interessante, mas é o grande programa político que o Ministério de Minas e Energia tem - comenta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).

Para o especialista, entretanto, como o setor está passando por um momento delicado por causa do risco de racionamento de energia, o novo ministro terá dificuldades para fazer uso político do programa. Sua principal missão será de evitar que o país sofra um novo apagão.

- Ele tem um problema para resolver.

Apadrinhado

Lobão é apadrinhado do senador e ex-presidente José Sarney (AP). Foi criticado por petistas e empresários quando o PMDB indicou seu nome para a vaga por não ser um técnico do setor, mas um político. Líder do partido no Senado, Valdir Raupp (RO) nega que o correligionário lançará mão do Luz Para Todos para fazer política. O parlamentar argumenta que as principais obras do programa já foram entregues.

- Não tem muito como fazer bandeira política com o Luz Para Todos, pois já está praticamente tudo feito - esclareceu Raupp.

Lançado em 2004, a meta do governo era beneficiar 12 milhões de brasileiros até o fim deste ano. Entre o público-alvo do Luz Para Todos, 90% das pessoas têm renda inferior a três salários mínimos e 80% vivem no meio rural.

Até agora, o programa atendeu 7.190.295 pessoas. Com as obras em andamento, outras 621.700 passarão em breve a contar com luz em suas residências. No Rio, 71.635 pessoas já foram beneficiadas. Em São Paulo, os contemplados totalizam 273.980. Os Estados com mais pessoas incluídas são Bahia e Minas Gerais, com respectivamente 1.111.415 e 1.009.325 favorecidos pelas ligações até então realizadas.

Em Estados das regiões Sul e Sudeste, as metas fixadas em 2004 já foram ultrapassadas. No Norte e no Nordeste, a situação é distinta: o objetivo ainda não foi cumprido nos Estados do Amapá, Acre, Amazonas, Piauí, Roraima, Rondônia e Tocantins. O líder do PMDB no Senado explica que as ligações de energia demoraram mais nesses Estados por conta das distâncias entre as linhas de transmissão existentes e as áreas que devem ser conectadas e porque as regiões careciam de mais fontes de geração de energia.

Para dar um impulso nas obras, o governo incluiu o Luz Para Todos no Programa de Aceleração do Crescimento. No ano passado, iniciativa privada e os governos federal e estaduais investiram R$ 4,3 bilhões no programa. A expectativa é que os desembolsos somem R$ 4,4 bilhões até 2010.

O governo acredita que a inclusão dessas pessoas no sistema elétrico nacional impulsionará o desenvolvimento econômico e social das regiões mais carentes do país. Reduzirá também a pobreza e a renda familiar dos beneficiados. Além disso, sustentam integrantes do Executivo, a chegada da energia elétrica a esses domicílios facilita a implementação de outros programas sociais nas áreas de saúde, educação e saneamento.

Em recentes discursos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o fato de as famílias atendidas pelo Luz Para Todo terem conseguido comprar televisores, geladeiras e outros eletrodomésticos. E destacou a influência do programa no esforço para reduzir o êxodo rural.

Apesar do importante papel social, o Luz Para Todos chamou a atenção da população no ano passado por motivos menos nobres. Foi citado em um escândalo de corrupção quando foram descobertas irregularidades em contratos da construtora Gautama. O escândalo envolveu o então ministro Silas Rondeau, que teve de deixar a pasta devido às denúncias. Era outro afilhado político de Sarney.

A noite segundo Gullar

Janeiro 20, 2008 on 2:00 pm | In Sem Categoria | No Comments

Dentro da noite


Guevara sonhou errado, na hora errada, no lugar errado, por acreditar que quem sabe faz a hora


A PRIMEIRA vez que vi a noite, se bem me lembro, foi na esquina da rua da Alegria com Afogados, em São Luís. Pode ser que já a tivesse visto antes, mas não me dera conta porque, na vida, só conta o que nos espanta. E foi naquela esquina, na porta da quitanda de Newton Ferreira, meu pai, que a noite se revelou a mim, quando ergui os olhos, inadvertidamente, por cima das platibandas das casas.
A rua da Alegria, para quem não sabe, começa na avenida Silva Maia e desce na direção do largo da Cadeia, que esse era então o seu nome, quando ali situava-se a penitenciária. Nossa casa ficava perto da quitanda, na primeira quadra entre a avenida e a rua dos Afogados. Foi nela, no quintal dela, que posei para a única foto em que apareço menino, junto com alguns de meus irmãos, irmãs e minha mãe. Como meu pai não aparece, ele é quem deve ter sido o fotógrafo. Estou ali, sentado numa cadeira, de meias e sapatos, os pés não chegavam a tocar o chão.
Mas até aquele momento, não havia reparado na noite, que só vi de fato, como já contei, ao sair da quitanda e olhar para o céu, que estava cravejado de estrelas a brilhar como se fosse o rastro de um cometa. Fiquei deslumbrado e temeroso, pois era como se uma força estranha quisesse me puxar junto com elas para o infinito do mundo.
Foi só um instante. Pois logo meu pai saiu da quitanda, trancou a porta com chave e tomamos o rumo de casa, onde a família nos esperava para o jantar. Depois de comer, ouvimos um programa da rádio Nacional com Vicente Celestino, e então fui para minha rede, armada junto à janela que dava para a rua. Mas não resisti: abri a janela, deixei que o clarão da Via Láctea dourasse meu rosto e saí voando.
Isso foi em 1938, quando mal completara oito anos de idade. No dia seguinte, pela manhã, estava normalmente observando Bizuza, na cozinha, a socar farinha de mesa com camarão e gergelim torrado para o cuxá. Não demorou muito para que me tornasse moleque de rua a vagabundear pela cidade, roubando copos em botecos e jogando bilhar na zona do meretrício, na rua da Palma. Mais tarde, chegariam os soldados ianques para ocupar a base aérea do Tirirical e tomar cerveja no Motobar.
Nessas minhas andanças noturnas pela cidade, tinha plena consciência de que o fazia sob o fulgor da Via Láctea, que me acompanhava pelos becos e ladeiras, por onde vagava sem saber o que viera fazer no mundo.
Mas foi durante umas férias no sítio de tio Felinto que pude perceber o silêncio infinito da noite cósmica, que de tão intenso me deixava ouvir até o rumor da grama crescendo sob meu corpo, ali recostado junto ao curral. Entendi que a noite não era apenas estrelas no céu, mas também o abafado vozerio dos vegetais, que não falam nem brilham, mas pulsam na escuridão que lhes oculta as cores como o zumbido dos pequeninos bichos a trafegarem nos ramos.
A escuridão é o estado natural do mundo, e a luz é pouca, ainda que as galáxias sejam feitas de matéria luminosa e incandescente a explodir no vazio do espaço sem que se ouça.
E dali, onde estava, junto ao curral, no Maranhão, nada se ouvia daquelas explosões de gases e matéria estelar. No escuro da noite provinciana, só em minha boca se mantinha algum possível lume a se acender na saliva, entre os dentes, uma palavra qualquer que iluminasse a existência.
É que a fala nega a noite e dá sentido a nossa presença no planeta.
Mais tarde, bem mais tarde, descobriria que a noite é muito mais veloz nos trópicos do que nas zonas temperadas. Nos pólos, então, a noite quase não passa, dura meses. Mas a noite custa a passar também nos cárceres. Já imaginou quanto deve demorar a noite, nas selvas colombianas, para as pessoas que as Farc mantêm seqüestradas? Para quem teve roubado seu futuro, a noite se prolonga dia adentro e emenda com a seguinte, é a noite sem aurora.
Que diferença daquela noite boliviana, nos anos 60, quando Guevara punha em risco sua vida por um sonho: o sonho de criar uma sociedade fraterna e igualitária nas Américas. Sonho, que ele sonhou errado, na hora errada, no lugar errado, por acreditar que quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Não faz. Esse voluntarismo juvenil só conduz à derrota.
É que o homem perdeu o paraíso pela impaciência, como disse Kafka. Mas podemos dizer que, pela paciência, quem sabe, ainda poderá recuperá-lo. Paciência que signifique determinação, persistir na luta, demore o que demorar, paciência que nos ajude a vencer a noite com todos os seus fantasmas e pesadelos.
Como se vê, há muitas noites na noite -o que nos fascina e assusta, como disse Murilo Mendes, “com seus abismos azuis”.

 

Miudezas da política

Janeiro 19, 2008 on 6:22 pm | In Sem Categoria | No Comments

Rabo preso

A deputada federal Nice Lobão, ex-primeira dama do Estado e presidente da Fundação que leva seu nome e administra o Colégio Cintra em São Luís, “dedurou” o presidente do Democratas, deputado federal Rodrigo Maia. Insinuou que ele tem “rabo preso”. Não tem ligação alguma com aquela anedota envolvendo o então vereador Haroldo Sabóia e o vereador Astro de Ogum,  em pleno plenário da Câmara Municipal de São Luís.

Boca fechada

O presidente do Democratas no Maranhão, deputado federal Clóvis Fecury, optou por um silêncio sepulcral em relação à permanência ou não de Edison Lobão Filho, o Edinho, como suplente do pai Edison Lobão hoje no PMDB, no Senado Federal. Calado também ficou o deputado estadual delegado Raimundo Cutrim, Democrata da Segurança, que em meio a tanta suspeita de falsificação de assinatura no ar, não encontrou uma bandidagem sequer.

Bandeira 2 no ar

Se fosse uma empregada doméstica qualquer que tivesse a astúcia de sonegar mais de R$ 20 milhões ao Fisco, duvido que escaparia de uma entrevista daquelas no horário da manhã do programa “mundo cão” da TV Difusora. Mas, Maria Lucia Martins achou de ser empregada da casa de Marco Antonio Costa, um amigo e sócio verdadeiro de Edinho Lobão. Deu sorte em não aparecer depois daquela chamada…assalto,malandragem, conto de vigário e por aí vai.

Ô vidas secas

O Nordeste prova mesmo que é mesmo um forte, imortalizado por Graciliano Ramos. Na terça-feira a região vai receber nada menos que 4 milhões de camisinhas, quase 20% de todo o material já aprovado em testes pelo Ministério da Saúde, que devem ser usadas no carnaval. De uma forma ou outra ele estará na cena do uso, nem que seja como voyeur.

Nas pegadas do capital selvagem

Janeiro 5, 2008 on 11:17 am | In Sem Categoria | No Comments

Vejo que em Natal, no Rio Grande do Norte, um resort ameaça acinzentar as dunas da área costeira, até então preservada da especulação imobiliária tornando aquela cidade de atrativos distintos de outras mais aonde a orla de praias é tomada por edifícios. Observo que aqui em São Luís o processo é mais escandaloso. Sub-repticiamente os empreendimentos vão chegando se apossam das áreas com vistas estonteantes das praias da ilha de São Luís, e muitos dos ludovicenses se rejubilam de aqui se tornar um terreno fértil dos investimentos imobiliários (sic).

Antes eram poucos, chegam sorrateiramente e foram se dirigindo pé ante pé para as praias. Não que essa movimentação passe despercebida pelos órgãos oficiais já que são estes que concedem a licença para que essas caixas se instalem em solo do município.

Como no poema “Nos caminhos de Maiakovski”, do poeta fluminense Eduardo Alves da Costa:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

Na virada do século, a população fechou os olhos para o que vinha ocorrendo, e, por conta de uma revisão do código de postura do município, o plano diretor, especificamente, as áreas foram liberadas para receber empreedimentos mais vistosos e do grande capital.

Somos tão provincianos que quando temos notícia de que um grupo estrangeiro, como os portugueses que se instalaram na ponta do São Marcos, está investindo aqui para abrigar seus conterrâneos, batemos palmas. Talvez seja essa uma herança destes tempos de domínios que não se circunscreve a apenas 40 anos, lembremos de Vitorino Freire e outros mandatário coronéis de nossa história social.

Agora, nestes excitantes tempos de crescimento espetacular, onde a pobreza se expressa em índices de violências e não mais de mendicância – alguém aí, ainda enxerga mendigos pelas ruas?! -, se assiste à explosão imobiliária na ilha. Pelo menos é esse o conceito que se apegam aqueles que caçam o lucro fácil e imediatista.

Há empreendedores que nem mesmo se informam sobre os nomes nativos e verdadeiros dos locais onde se instalarão. Um exemplo é a chamada Praia da Marcela, que não consta em nenhum mapa oficial da ilha. A não ser que para agradá-los o órgão municipal tenha se agachado para o charme que é dar nome de mulher (praia da Marcela) a uma praia consagrada à baía de mesmo nome(São Marcos).

Mas, no entendimento desses arautos do progresso, esse papo de preservação de dunas brancas é coisa de poeta que vive com a cabeça no vento e o bolso idem. O importante é que estão gerando (sub) empregos e dando uma vistosa paisagem – igual a tantas outras cidades onde a mazela social é mais exposta – de primeiro mundo. Essa palavra é chave para esses progressistas de araque, muitos deles aboletados no poder.

Lobão ainda emaranhado com a perda do mandato

Janeiro 3, 2008 on 9:41 am | In Sem Categoria | No Comments

O DEM, ex-PFL, vai levar para o Supremo Tribunal Federal, STF, o processo que requer o mandato do senador maranhense Edison Lobão que trocou o democratas pelo PMDB. A perda do mandato se baseia na Resolução  nº 22.610/07 que “disciplina o processo de perda de cargo eletivo, bem como de justificação de desfiliação partidária.”. Em 28 de dezembro do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral, TSE, extinguiu o processo, sem julgamento do mérito.

 

No Maranhão, democratas e peemedebistas são água e água. O deputado federal Clóvis Fecury, filho do suplente da senadora Roseana Sarney (também ex-demo, hoje no PMDB), dirige no estado, Mauro Fecury.

 

A legenda que nasceu do antigo PFL sofre esvaziamento no estado. O efeito ainda não foi sentido na bancada estadual, onde o partido conta com sete deputados estaduais. Os democratas estão abrigados no Bloco Parlamentar de Oposição, BPO, junto com deputado do PMDB, PTB, PP e PV. Todos alinhados com o grupo liderado pelo senador José Sarney (PMDB-AP).

 

O senador Edison Lobão, aliado histórico do senador José Sarney, tem como suplente o filho Edison Lobão Filho, que também se transferiu para o PMDB. Enquadrado no mesmo caso de infidelidade partidária, Edinho poderá ser impedido de assumir a vaga do pai, o que poderá acontecer caso o senador seja afastado por decisão do STF ou para assumir o ministério das Minas e Energia.

 

Na eleição de 2002, quando Lobão se elegeu pela mesma coligação (PFL, PSC, PSD, PMDB, PSDC, PST e PV) juntamente com a senadora Roseana Sarney para o senador, na renovação de 2/3 do Senado Federal, o hoje senador Epitácio Cafeteira, candidato pelo PDT, ficou na terceira colocação como mais votado.

 

Feliz 2008

Janeiro 1, 2008 on 3:47 pm | In Sem Categoria | No Comments

Feliz 2008

João Alberto é 100% beneficiado

O ex-senador pelo Maranhão, João Alberto (PMDB) está na lista dos parlamentares que mesmo sem mandato conseguiram a liberação de emendas ao Orçamento da União segundo levantamento realizado pela assessoria do DEM.

Candidato derrotado a vice-governador na chapa da senadora Roseana Sarney (PMDB), o ex-senador foi colocado no BASA, ocupando atualmente a diretoria administrativa do Banco da Amazônia, pelo senador José Sarney. Através das emendas os ex-congressistas podem atender suas bases eleitorais destinando recursos federais para obras.

Pesquisas recentes mostram que parlamentares que conseguem emendas individuais não recebem necessariamente mais votos nas eleições seguintes em seus Estados, mas tendem a conseguir doações mais vultosas para suas campanhas.

Natal com Fernando Pessoa

Dezembro 24, 2007 on 11:57 am | In Sem Categoria | No Comments

 

Por recomendação do poeta Nauro Machado fui em busca de um poema que resumisse o Natal. Nauro me havia falado que uma pequena quadra de Pessoa era a mais carregada de significada que já havia contatado. Encontrei, porém, dois momentos que acho com a estatura dos poetas. Veja então:

 NATAL…

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
‘Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

 

CHOVE

 

Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

 

Deputado é profissão para alguns

Dezembro 18, 2007 on 12:19 pm | In Sem Categoria | No Comments

O deputado estadual Rubens Pereira Júnior (PRTB) se viu num dilema sobre solicitar licença para tratar de assuntos pessoais. Esbarrou no Regimento Interno da Assembléia Legislativa que não faz nenhuma menção ao afastamento da Casa para tal finalidade. A licença de 121 dias para tratamento de saúde, esta prevista no RI, oportuniza ao suplente ocupar a vaga do afastado. É instrumento contumaz no sistema de beneficiência entre pares parlamentares, já que o afastamento do titular não implica em prejuízo de salário. Fica em aberto a negociação sobre gabinete e ajuda para manutenção de assessores.

O deputado Manoel Ribeiro (PTB), ex-presidente da Mesa Diretora por dez anos consecutivos, retorna à Casa na condição de suplente pela segunda vez na atual legislatura. Na primeira, substituiu ao deputado Carlos Filho (PV), terceiro vice-presidente da mesa que se afastou pelo período legal do regimento.

Atualmente, Ribeiro ocupa a vaga do deputado estadual Joaquim Nagib Haickel (PMDB) que teve que se afastar pelas mesmas circunstâncias. Deputados eleitos e suplente estão no mesmo bloco de oposição na Assembléia Legislativa e possuem ligações umbilicais com o grupo da senadora Roseana Sarney.

Júnior, que desde o início da atual legislatura ficou responsável por revisar o Regimento Interno e a atualizar a Constituição Estadual, acha que é de bom alvitre modificar o manual, permitindo assim a licença premiada da qual o trabalhar comum não imagina em sonhos.

No pensamento nobre do deputado Rubens Pereira Júnior, em primeiro mandato, o afastamento se justificaria quando o deputado se ausentasse para tratar de sua qualificação como profissional. Edificante. Entende o jovem deputado, que deputado não é profissão, é função.

A levar em consideração as palavras do “estudante, bolsista, estagiário e assemelhados”, conforme declarou à época ainda como candidato à Justiça eleitoral, na atual legislatura existem pessoas em desvio de função. Ou vice-versa.

Confusos quanto ao seus papéis como parlamentares eleitos para um mandato outorgado pelo voto popular estão os deputado Arnaldo Melo, Alberto Franco, Carlos Filho, Hélio Soares, João Evangelista, Joaquim Haickel, Rigo Teles, Soliney Silva e o suplente Manoel Ribeiro.  João Batista e Nonato Aragão que exerciam a profissão de vereador hoje podem se  declarar deputados “full time”.

 Consultando os dados cadastrais desses parlamentares no TSE, constata-se que o quadro destinado à ocupação foi preenchido com a função preconizada pelo deputado, e não com a profissão que estes desempenham para lhes dá sustentação na vida. Veja quem faz o que na Assembléia Legislativa:

Deputados & suas profissões.

Afonso Manoel Administrador

Arnaldo Melo- Deputado

Antonio Bacelar – Outros

Antonio Carlos Braide – Outros

Alberto Franco - Deputado

Antonio Pereira – Médico

Camilo Figueiredo – Economista

Carlos Alberto Milhomem – Administrador

Carlos Filho – Deputado

César Pires – Veterinário

Chico Gomes – Aposentado

Cleide Coutinho – Médica

Domingos Paz –Trabalhador rural

Edivaldo Holanda – Advogado

Eliziane Gama – Jornalista e redator

Fátima Vieira – Comerciante

Fufuca Dantas – Economista

Graça Paz – Outros

Graciete Lisboa – Servidor Público Municipal

Helena Barros Heluy – Advogada

Hélio Soares – Deputado

João Batista – Vereador

João Evangelista – Deputado

Joaquim Haickel – Deputado

José Lima- Professor de Ensino Superior

Jura Filho – Administrador

Maura Jorge – Outros

Mauro Jorge – Empresário (suplente)

Manoel Ribeiro – Deputado (suplente)

Marcos Caldas - Empresário

Max Barros – Engenheiro

Nonato Aragão - Vereador

Paulo Neto - Deputado

Pavão Filho -Advogado

Pedro Veloso -Outros (suplente)

Penaldon Jorge – Advogado

Raimundo Cutrim – Advogado

Ricardo Murad – Empresário

Rigo Telles – Deputado

Rubens Pereira Silva Júnior – Estudante, Bolsista, Estagiário e Assemelhados

Soliney Silva – Deputado

Stenio Rezende - Médico

Valdinar Barros – Outros

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